Pelos preços mensais públicos dos três ciclos completos: do topo até o fundo, cerca de 12 a 13 meses; do fundo até recuperar o topo anterior, de 16 a 25 meses; e os dois ciclos completos de fundo a fundo deram 47 meses cada. São números que descrevem o passado, não uma agenda do futuro.
Primeiro os meses, depois por que eles não são um calendário
Se você quer só um número: doze a treze meses. Foi o tempo que o bitcoin levou, nos três ciclos anteriores, para cair do mês mais alto até o mês mais baixo.
Esse número precisa de três remendos imediatos.
Primeiro: a amostra é de três. Uma linha traçada com três pontos não é estatística de nada. Qualquer frase do tipo “logo o fundo será em tal mês” transforma descrição em previsão.
Segundo: topo e fundo só existem depois. Aquela vela verde que você vê no mês 12 tanto pode ser o fundo quanto mais uma recuperação que falha. Em cada uma das quedas anteriores houve de três a cinco altas que pareceram o fim e não eram.
Terceiro: a própria pergunta está um pouco torta. O que desgasta não é o dia em que o preço toca o fundo, e sim o período em volta dele — volume secando, nenhuma notícia, ninguém mais falando do assunto. Região de fundo é silenciosa, não é dramática.
Ciclo a ciclo: meses, queda e tempo de recuperação
Os números da tabela são meses inteiros aproximados, obtidos dos preços mensais públicos; entre corretoras e fontes de dados há diferenças de algumas semanas. A queda é medida entre o mês mais alto e o mais baixo do ciclo.
| Ciclo | Topo | Fundo | Topo → fundo | Queda máxima | Volta ao topo |
|---|---|---|---|---|---|
| Primeiro | dez/2013 | jan/2015 | ~13 meses | ~ −85% | ~25 meses |
| Segundo | dez/2017 | dez/2018 | ~12 meses | ~ −84% | ~24 meses |
| Terceiro | nov/2021 | nov/2022 | ~12 meses | ~ −77% | ~16 meses |
Lendo as três linhas, o que se mantém estável não é a queda, e sim a duração do topo ao fundo: 12, 12, 13. A profundidade, essa vem encolhendo: −85%, −84%, −77%.
A coluna mais desigual é a da recuperação: 25, 24 e 16 meses. O terceiro ciclo foi visivelmente mais rápido, e a explicação mais citada é o fluxo comprador trazido pelos ETFs à vista — uma explicação entre outras, não um veredito.
Juntando as três colunas sai algo mais útil do que “quanto dura”: o comprimento da queda é mais regular do que a profundidade dela. Se você vai se preparar para o cenário ruim, preparar-se para “doze meses difíceis” aproxima mais da experiência real do que preparar-se para “vai cair 80%”.
Dois ciclos completos, 47 meses cada
Abrindo o zoom para o ciclo inteiro, aparece um número ainda mais redondo.
De jan/2015 até dez/2018 são 47 meses. De dez/2018 até nov/2022, também 47. Dois percursos de fundo a fundo praticamente idênticos, perto de 3 anos e 11 meses — a origem real da expressão “ciclo de quatro anos”.
Separando as partes: a queda consome uns 12 meses e sobram cerca de 35 meses de subida do fundo até o topo seguinte. Proporção aproximada de 1 para 3.
Quando calculei esses dois 47 pela primeira vez, a primeira reação foi “regular demais”. A segunda é que vale: duas amostras, regulares como coincidência. Dois números quaisquer podem ser iguais, e isso não cria uma regra. O que dá para levar embora é só isto — a parte de queda ocupa menos de um terço do ciclo. Quem gasta toda a atenção nesse terço perde de vista os outros dois, que são mais longos.
O que de fato segue um calendário não é o preço, é a oferta
Muita gente acredita que existe um relógio porque, no bitcoin, uma coisa realmente segue um cronograma rígido — só que essa coisa não é o preço.
Vale olhar dois segundos para o formato da linha vermelha: ela não desce suavemente, desce em degraus. Cada degrau é um halving, ou seja, cada 210.000 blocos. A posição do degrau é definida pela altura do bloco, sem relação com o dia do calendário.
Em outras palavras: a única coisa que roda no relógio é a velocidade de emissão de moedas novas. O preço não tem horário, o humor do mercado também não, e a sua posição muito menos. Confundir o relógio da oferta com o relógio do preço é a troca mais comum nesse assunto.
Isso também explica por que cada site mostra uma data diferente para o halving — são estimativas, não agenda. O detalhamento está em linha do tempo do halving.
Conte os seus meses: bastam três linhas
Os meses dos outros não servem; os seus, sim. Pegue um papel ou as notas do celular e escreva três linhas.
| Escreva | Como preencher |
|---|---|
| O topo que considero o último foi | Mês e ano bastam; na dúvida, use o mês em que sua carteira valeu mais |
| Até hoje se passaram | Conte os meses e escreva um número inteiro |
| Comparando com a tabela, esse número cai em | menos de 12 / entre 12 e 16 / mais de 25 meses |
Cada um dos três resultados pede um lembrete diferente.
Menos de 12 meses. Pelo intervalo histórico, você ainda está no meio do trecho de queda. O erro típico aqui é comprar no meio do caminho e ficar sem munição. Nos três ciclos, os primeiros seis meses depois do topo sempre tiveram correções que pareceram profundas o bastante.
Entre 12 e 16 meses. É a faixa em que as regiões de fundo apareceram. Repare na formulação: “apareceram”, não “vão aparecer”. O que cabe nessa faixa não é aumentar a aposta, e sim confirmar se o plano antigo ainda roda — conta ativa, senha lembrada, dinheiro do aporte disponível.
Mais de 25 meses. Nenhum ciclo anterior chegou até aqui sem voltar ao topo. Chegar significa uma de duas coisas: ou o formato deste ciclo é diferente dos três anteriores, ou o topo que você anotou não era o topo do mercado. Nos dois casos vale reconferir a data em vez de continuar esperando pelo roteiro antigo.
Escrevendo essas três linhas você cumpre o que este texto se propõe: trocar um “quanto tempo ainda” vago por um número concreto que dá para atualizar uma vez por mês.
Nesses doze e tantos meses, faça três coisas
Primeira: garanta o caixa antes de pensar em posição. Quem foi expulso do mercado nas quedas anteriores raramente errou a direção; errou por precisar do dinheiro perto do fundo. Ação concreta: confirme que existe uma reserva de três a seis meses de despesas, totalmente separada dos criptoativos. Essa reserva decide mais sobre a sua sobrevivência do que qualquer indicador.
Segunda: mantenha apenas o que roda no automático. Operação que depende de decisão diária vai sair do trilho justamente nos meses ruins. Deixe o aporte em data fixa e valor fixo, o rebalanceamento em trimestre fixo, e pare de improvisar no meio. Em DCA e estratégia de ciclo há um modelo de registro pronto para copiar.
Terceira: reduza a frequência de olhar o preço, mas mantenha um registro mensal. Olhar dez vezes por dia não antecipa o fundo; só aumenta a chance de você desistir no oitavo mês. Escolha um dia fixo do mês e anote três coisas: o número do mês, o valor da carteira e o que você estava pensando. Seis meses depois esse caderno te devolve algo que ninguém mais pode te dar: o seu próprio padrão de reação sob pressão.
Nenhuma das três exige adivinhar o mercado. É de propósito: quando a duração é imprevisível, o que sobra sob controle é o processo.
Desta vez é diferente? Dois argumentos e duas réplicas
Esta seção não tem conclusão; só organiza os dois lados.
A favor de “o ritmo mudou”, primeiro argumento: a estrutura de compra mudou. Os ETFs à vista deixaram o dinheiro tradicional entrar por um caminho familiar, e esse dinheiro se comporta de forma diferente do investidor pessoa física de 2017. O terceiro ciclo ter voltado ao topo em 16 meses costuma ser citado como evidência.
Segundo argumento: o efeito marginal do halving encolhe. A oferta nova cortada a cada halving representa uma fatia cada vez menor do total em circulação — na imagem acima, a linha vermelha já está quase colada no eixo. Um evento com efeito decrescente dificilmente continua sendo o metrônomo do mercado inteiro.
Réplica um: três amostras nunca formaram regra. “Desta vez é diferente” e “desta vez é igual” são dois lados do mesmo problema — nunca houve dado suficiente para decidir. Usar dois períodos de 47 meses para prever um quarto é tão frágil quanto usá-los para provar que o ritmo mudou.
Réplica dois: a variável de verdade pode estar fora do mercado cripto. As duas viradas anteriores acompanharam de perto mudanças nos juros globais. Se o macro manda, discutir “o ritmo interno do ciclo cripto” já é olhar na escala errada.
Meu jeito de lidar é não adotar nenhum dos dois como premissa e usá-los apenas como dois motivos para não tratar a tabela de meses como promessa. Em as quatro estações do mercado cripto o quarto ciclo aparece com mais detalhe.
Perguntas frequentes
Quanto tempo costuma durar um bear market?
Pelos preços mensais públicos dos três ciclos anteriores, do topo até o fundo passaram-se cerca de 12 a 13 meses; do fundo até recuperar o topo anterior, de 16 a 25 meses. São três amostras: sirva-se delas como referência, nunca como calendário.
Estamos em bear ou em bull agora?
Este site não diz em que fase o mercado está. Topos e fundos só são confirmados depois. O que você pode fazer é registrar: anote a data que considera o último topo, conte quantos meses se passaram até hoje e compare esse número com a tabela deste artigo.
Por que uma queda de 80% parece mais fácil de aguentar do que é?
Porque 80% é um número instantâneo, e o que se aguenta são meses. O difícil não é o dia da queda, e sim a sequência de mais de dez meses sem notícia boa, com volume secando e ninguém ao redor falando de cripto. Historicamente, as regiões de fundo foram silenciosas e longas.
Desta vez pode ser diferente?
Pode. Os ETFs à vista mudaram a estrutura de compra e o efeito marginal do halving sobre a nova oferta diminui a cada ciclo. Por outro lado, três amostras nunca formaram uma regra, e os juros globais podem pesar mais do que qualquer fator interno do ciclo. Vale ouvir os dois lados sem tratar nenhum como conclusão.
Fontes e verificação
- Oferta e degraus do halving (origem da imagem): bitcoinblockhalf.com
- Preços históricos e topos/fundos mensais: coingecko.com
Os meses e percentuais da tabela são aproximações a partir de preços mensais públicos; entre corretoras e fontes há diferenças de semanas e de alguns pontos percentuais. Imagem capturada em 09/2026. Desempenho passado não indica resultado futuro.